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O pão, a invertida e o tempo..

August 12, 2016

Há uns 4 anos atrás recebi de um padeiro fabuloso de Milão um poquinho da sua "pasta madre",  que aqui no Brasil chamamos de fermento natural ou levain (não sei por que mas os termos em francês sempre se tornam mais pop). Ainda lembro do meu desespero inicial sem saber como cuidar daquela colônia de bactérias e leveduras que "milagrosamente" faziam o pão fermentar, crescer e ter um sabor todo especial. Foi muito estudo, pães errados, quilos e quilos de farinha, madrugadas acordando para fazer as dobras nos tempos especificados nas receitas (sim, existe todo um processo de dobras da massa para fortalecer o glúten), ânsia, estresse e terror de assassinar os meus bichinhos. Aos poucos os pães foram melhorando, mas ainda faltava muito para serem ótimos. Eu estudava e seguia todos os passos direitinho, mas nem sempre funcionava. Foi quando parei de seguir receitas à risca, comecei a sentir a massa e entender o que ela precisava - que muitas vezes era o dobro do tempo descrito na receita! Comecei a conhecer melhor o meu fermento pelo cheiro, pela aparência, pela textura. Relaxei! E foi a partir daí que meus pães ficaram realmente bons! Todo esse processo me deu mais confiança nos meus sentidos e ao mesmo tempo me trouxe uma noção muito forte de que não posso controlar tudo! Posso e devo fazer o meu melhor mas milhões de fatores podem influenciar no resultado - ainda mais quando lidamos com organismos vivos, que têm o seu próprio tempo - que deve ser respeitado ainda que a receita diga o contrário.

 

No ano passado, no meio de uma crise existencial iniciada com uma grande mudança de vida, comecei a frequentar aulas de yoga. O que eu achava que seria algo razoavelmente tranquilo e que me traria paz de espírito e corpo forte acabou me trazendo ainda mais angústia: me sentia uma falida a cada aula! Depois de anos e anos fazendo esporte ininterruptamente, aquilo que na minha cabeça deveria ser simples e relaxante estava acabando comigo! Saia das aulas com dores nunca antes sentidas e com a frustração de não conseguir sequer entender como fazer a posição com a qual a instrutura finalizava todas as aulas: a tal da invertida (posição em que você fica com o corpo apoiado nos seus antebraços e na cabeça). Era um desespero, a professora me mostrava como era e dizia que em pouco tempo eu estaria fazendo, mas nada, os meses passavam e eu sentia que JAMAIS conseguiria. De repente, depois de muito tempo entendi, ou melhor, o meu corpo entendeu o que precisava fazer para executar aquela posição e subi! Nem preciso dizer que foi uma grande emoção! Continuo sendo péssima para fazer diversas outras posições mas uma coisa de cada vez né?! Não adianta querer tudo de uma vez só, com tempo chego lá (ou não, e tudo bem!). E a propósito de tempo, olha ele ai mais uma vez mostrando que é totalmente alheio aos nossos desejos e vontades!  

 

Não adianta a gente querer apressar as coisas, não adianta querer, correr, saltar etapas e fazer por fazer. A gente tem que sentir. Tudo e todos têm o seu momento e é inútil racionalizar demais! 

 

E hoje por aqui não vai ter receita, só uma simples dica: racionalize menos e deixe fluir! Funciona na cozinha, na aula de yoga e na vida! 

 

Essa é a foto do meu primeiro pão de fermentação natural! A loka né, logo na primeira experiência já sai fazendo 100% integral.. :D

 

 

 

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